Ela era afeita aos rituais. Todas as manhãs acordava com o despertador tocando, olhava pra ele e pedia mais 5 minutinhos de soneca da preguiça.
Por fim levantava e ia pra janela olhar o dia, seus olhos ardiam de acostumar com a claridade já intensa desse alto verão. Café, seu cérebro ordenava. 
Água pra ferver, pó no coador, grandes goles d'água enquanto esperava o zumbido da chaleira anunciar que estava pronto.
Então ia pra varanda, pegava os jornais, o café, água e acendia um cigarro.
Ainda em estado de semi-consciência, tentava descobrir se ainda estava sonhando, se aquilo era real, ou se tudo não era assim mesmo, a vida como um estado de realidade compartilhada. Antes do acontecido, ela tinha mais certeza de que aquilo era uma verdade, embora fosse um sonho, mas descobriu agora ser passageiro. Talvez por isso andava dormindo muito ultimamente, vivia em uma letargia e com um cansaço que a paralisava. Sorria mais no sonho, ou era a realidade? Estava difícil definir um do outro.
Então decidiu escolher a realidade que fizesse constante seu sorriso no rosto, embora algumas pessoas não conseguissem compreender que a subjetividade do que é real pra cada um, possa ser definido de acordo com o gosto do freguês. Os mais céticos chamam isso de loucura ou numa linguagem mais técnica, esquizofrenia.

 Ela preferia chamar de *meu mundo particular! 

Alice era uma moça de fino trato.
De gestos delicados e fala doce, assim era Alice.
Suas frases sempre começavam com Por Favor e se complementavam com um Muito Obrigada.
"Por favor tia Dorinha, me passe o sal."
"Primo Olavo sempre me ajuda a descer as escadas, muito obrigada!"
Não tem quem dissesse que Alice não era moça pra casar, moldada às boas maneiras, prendada e de pensamento irrepreensível.
E Alice era mesmo, em todos os momentos, até fechar seus olhos.
Alice tinha um segredo. Cedo descobrira que ao cerrar suas pálpebras ela estaria livre para fazer tudo o que lhe aprouvesse.
No mundo de Alice, tia Dorinha era vítima de suas brincadeiras. As coxas gordas de tia Dorinha assando lentamente em alho e sal.
Tia Dorinha tendo os dedos costurados pelas cutículas a cada vez que tentasse repreender alguma atitude de Alice. Tia Dorinha com os olhos grudados com cola quente, cílio a cílio, para que pudesse entender o mundo de Alice.
Alice podia fazer o que quiser, com quem quiser, num piscar de seus olhos. Alice gostava de brincar também com primo Olavo, moço muito polido, discreto e de difícil interpretação.
De olhos abertos, primo Olavo era apenas o primo de infância, quase irmão. Já de olhos fechados..
Primo Olavo ajudando a descer as escadas, Alice o encosta contra a parede.
Primo Olavo cumprimentando com um suave beijo no rosto. Alice o pega entre suas mãozinhas, sempre delicadas, e leva seu rosto até seus seios.
Primo Olavo elogiando seu vestido, enquanto Alice arranca sua camisa muito bem engomada.
Alice abre os olhos, tia Dorinha sempre pergunta onde é que Alice estava que já fez a mesma pergunta três vezes e ela não respondeu.
Sempre muito delicada, Alice se desculpa singelamente dizendo que estava rezando uma Ave Maria.

Ando recolhida. Coloquei junto a mim uma xícara de café, algumas músicas suaves, revirei minha estante em busca de livros que me trouxessem paz e fechei a porta do meu quarto por tempo indeterminado ou até eu me cansar da minha presença.

Alterando entre momentos de pura monotonia com epifanias que me parecem genias por quase um segundo, vou permanecendo em minha reclusão. Até me vir algumas questões. Por que se recolhe? Do que se esconde? É uma fuga necessária ou exatamente o que eu precisava para repensar coisas que vinham me incomodando há tempos? É o momento de sair do entorpecimento e tentar encontrar respostas ou somente colocar pra fora o que pesa aqui dentro?
É peso ou drama?
É drama ou hora de impor minha vontade? Dizer não ao que não concordo, falar do que não me satisfaz, não me representa e que eu considero abusivo?!


...


Me sinto deprimidamente reprimida.
Me deprime o quanto eu tento seguir padrões em que não me enquadro. Me deprime o fato de eu querer segui-los ainda assim.
Reprimo minha vontade de não ser simpática com pessoas que não me agradam num primeiro momento. Me sinto reprimida por ter que dosar a quantidades de queridos e queridas que tenho vontade de 
dizer àqueles que gosto.
Me deprimo com a quantidade de maldades que leio todos os dias nos jornais. E me sinto deprimida quando percebo que alguma maldade também não me escapa por vezes. 
Reprimo minha vontade de fazer justiça com as próprias mãos pela inviabilidade disso. E me sinto profundamente reprimida quando não escutam os meus e os dos demais, pedidos de liberdade.

Me deprimo ao perceber que a maioria dos que vivem aqui, ali, lá, não terão um futuro de igualdade, liberdade e fraternidade, tão alardeado pela revolução francesa. Me deprime meu futuro incerto.
Reprimo o que eu realmente queria fazer da minha vida, pela incapacidade dos fatos. Me reprime que a grande maioria também não possa ser/fazer.

Me deprime a incapacidade das pessoas fazerem bonito o seu amor, me deprime a não solidez com que dizem amar. Desde que o "ficar" substituiu o sentido de "corte", dos gracejos, das serenatas embaixo das janelas, me deprimo facilmente com a fluidez dos pseudos-relacionamentos.
Me reprimo o toque daquele que não conheço - e aqui abro uma questão, de como me sinto reprimida pelos outros por Não mais me contentar com os toques que não me deixam marcas, as boas -
Me sinto para alem de reprimida, quase que ultrajada, quando me impõem regras de conquista, um manual de como agir e não de como sentir, numa eterna busca do aprisionamento do outro por subterfúgios psicológicos,daqueles manuais de conquista de revista feminina. Reprimo meus sentimentos daqueles que esperam que eu aja assim.  

E finalmente, só espero que não morra deprimidamente engasgada!  


“quando lemos sobre uma bruxa sendo queimada, uma mulher possuída por demônios, uma mulher sábia vendendo ervas… acho que estamos olhando para uma escritora perdida, uma poeta anulada.” Virgínia Woolf 

Existem no meu lugar,
eu sinto.
Não consigo ver porque não mais existo,
mas eu sinto.
Existem!

E aos poucos você vai perdendo seu reflexo no espelho do outro, no princípio é um leve e quase não aparente esmaecimento, como quando ao acordar, seu primeiro pensamento desfoca do outro e você só lembra cada vez mais tarde no dia. Antes era assim que abria os olhos, depois passa a ser daqui 1 hora, depois do almoço, meio da tarde até chegar o momento que você fica dias sem lembrar.
Aquela vontade de saber como foi o dia do outro, passa ser a vontade de saber como foi a semana, depois a quinzena, o mês, até que por fim acha melhor nem saber. Então você fecha os olhos e a imagem desfoca, você demora pra enxergar os detalhes, busca uma foto e daí se lembra - aah era assim os detalhes de seu rosto


No princípio a vontade do toque era latente. As mãos, ávidas, iam sempre de encontro das mãos do outro. Andar na rua de mãos dadas era algo de extrema importância para guiar o caminho, sem o enlace das mãos você sentiria perdida na multidão. As mãos na outra me tornava crível. Até que as mãos já não procuravam as do outro, elas começaram a se procurar cada vez mais raramente ao andar pelas ruas e sem saber o que fazer com elas, procurava meus bolsos, ou cruzava os braços, na tentativa de não demonstrar a falta que o enlace nos dedos do outro faz. 
Você percebe que se tornou invisível, quando os olhares que trocam já não são mais olhares e sim piscadelas. No inicio olhar o outro é o mesmo que se prender no outro, como quando se olha algo tão bonito que a vontade é de não piscar para não perder nenhum detalhe. Tudo tem que ser apreendido minimamente, conta-se as pequenas marquinhas no rosto, sabe a localização de cade pêlo, cada pintinha.Percebe-se que sua imagem está esmaecendo para outro quando o olhar que recebe vem desviado, ao falar com você é mais interessante olhar pro que está acontecendo do outro lado da rua e quando por fim você recebe um olhar no tempo de uma piscadela, ele vem com uma névoa e não dá mais para perceber o que está por trás dele.
Finalmente você acorda uma dia e ao se olhar no espelho do outro não vê mais sua imagem refletida. Você se remexe, tenta limpar o espelho, coloca sua roupa mais brilhante e nada é refletido. Você espera com aparente (e mentirosa) calma que o espelho tenha dado somente um pequeno defeito e volte a sua função primeira - a de refletir - mas o tempo passa e nada acontece, nem um vulto do que você era antes aparece. E o tempo passa..
E o tempo passa..
Até que você ainda olhando naquele espelho na esperança de se ver, começa a formar uma imagem, no início é só um contorno de uma imagem, desfoca, vai focando, a imagem vai ganhando mais contorno, mais brilho. Você não tira os olhos dali, e o tempo passa..
A imagem se forma.
Não é mais você refletida ali!  

Não vejo futuro em nossa relação e não gosto de problemas, prefiro evitá-los.
Ao ler aquelas palavras ditas pelo objeto do meu afeto, pensei: Estou gostando de um vidente meio esquizofrênico, porque ao mesmo tempo que ele conseguia predizer que eu seria um problema, ele não conseguia prever o futuro que estava a nossa frente.
E com essas palavras fatalistas ditas em um inóspito chat da internet, ele me deixou.
Assim, de pronto, se tornou offline no meu chat e na minha vida, nem tive a chance de tentar entender a qual futuro ele estava se referindo e quais os problemas que ele via em mim.
Me via atordoada, lendo e relendo aquilo, mas como é isso? Fale a verdade, você deixou de gostar de mim? Não, ele disse. Você conheceu outra pessoa que você consiga prever um futuro? Não, eu nunca faria isso com você, ele continuou afirmando. Então que raios de futuro é esse? Qual a importância disso agora, se esse tal de futuro se constrói na vivência do dia-a-dia juntos, por que você não quer construí-los junto comigo? O futuro é importante pra mim, foram suas últimas palavras antes de me condenar ao cinza do offline eterno.
Ainda numa última tentativa desesperada de entender tudo aquilo, mandei um sms pedindo sua ajuda para digerir aquelas palavras mas não obtive resposta. O silêncio era palpável. Acho que ali ele já estava me demonstrando o não futuro da nossa relação, daí eu entendi, não é que ele não via um futuro, ele não queria um futuro entre nós. Então me calei também.
E fui me calando em todas as nossas relações sociais, as reais e as virtuais. Tal pessoa não faz mais parte da sua lista de amigos, parecia que gritava para mim o Mark Zuckerberg em pessoa. Só não consegui apagar seu número de telefone do meu celular, porque de nada adiantaria, sabia decorado e ainda não inventaram uma máquina de deletar lembranças.
Já passei por outros términos, queridos por mim e por outros, já fiquei triste, já fiz ficarem tristes, mas nunca foram confusos, sempre pensei que términos fossem claros, mesmo que se usem àquelas máximas do tipo, o problema não é você, sou eu, a gente sempre sabe no fundo os reais motivos e isso de certa forma é menos angustiante. Mas esse foi totalmente novo para mim.O mais confuso disso tudo, se é que é possível, é que nossa relação foi a mais clara que eu já tive, sem joguinhos, sem grandes complicações, eu era feliz, eu achava que ele era feliz ao meu lado. Nem no início precisei brincar de "não vou te ligar agora, vou deixar você sentir um pouco minha falta", enfim, essas coisas idiotas que fazemos quando estamos tentando conquistar uma pessoa. Quando ele queria me ver, ele procurava, quando eu o queria, chamava e ele vinha de pronto (ao menos é claro que estivesse ocupado), a gente saia, ia a festas, conheci seus amigos e gostei deles, aah droga, me dei conta agora que até dos amigos eu me separei também. É como se ele tivesse decretado que o não futuro se estende aos seus amigos também. Pena..
Não éramos aqueles casais que não se desgrudam. Detesto isso. As vezes ele saia só com seus amigos e eu com os meus, só pedia que me avisasse, e depois que acordamos isso um com o outro, não tinha problemas. Sim, é claro, a insegurança sempre bate, mas eu estava aprendendo a confiar nele, e minha experiência me dizia que de nada adiantava aprisioná-lo, então ele ia e sempre voltava para mim.
Desde o início eu já sabia que nossa relação seria de indas e vindas, ele não é brasileiro, de tempos e tempos ele teria que visitar sua família, o que me fez concordar com essa situação e querer ficar ao lado dele mesmo assim foi porque todos os dias que ele passou ao meu lado eu percebia que valia a pena. A saudade do tempo que ficaríamos distantes estava sendo paga e muito bem paga na prestação dos dias que passávamos juntos. Nunca fiquei chateada com ele, ou melhor, um única vez, que não durou um dia inteiro, e logo conversamos e acertamos tudo. Embora eu seja uma pessoa desconfiada e insegura, devido as marcas de alguns relacionamentos destrutivos passados que tive, ele nunca havia me deixado sentir um mínimo de desconfiança dele, não sei se fui enganada ou traída alguma vez, mas se fui também não importa agora, porque isso nunca me doeu, e mesmo quando ele estava fora não me permiti ficar procurando erros dele. Não fucei sua vida, não perguntava de forma invasiva todos os detalhes de festas que ele foi com os amigos, sua vida em outro país não me dizia respeito, ou melhor, sua vida em seu país eu tinha que respeitar, pois não acredito em relacionamentos que aprisionam o outro, como já disse aqui, relacionamento para mim não é pertencer um ao outro de forma egoísta, mas sim de complementariedade. Até porque somos água e vinho, ele esfria eu aqueço, ele acalma, mata a sede, eu deixo zonza, carente por mais, ele é terra eu sou fogo! (essa frase ficou parecendo letra de música cafona!rsrs)
Por três situações ele disse que me amava. Não disse para mim especificamente, ele disse muito mais pra ele, como algo que escorre pelos lábios e que não consegue segurar. Mesmo ele sendo tão controlado, como ele mesmo diz: tenho que pensar como engenheiro, por três vezes ele não conseguiu se controlar. Mas de todas essas vezes eu fingi não ouvir ou não entender, por respeito a ele. Sabia ou não tinha certeza de que ele queria realmente me falar isso, me parecia muito mais uma constatação para si mesmo, do que algo que ele tinha a certeza de querer dizer para mim. E hoje acho que foi o melhor que eu fiz, em respeito à ele.
Da primeira vez foi em um momento que ele estava com seus amigos, já deviam estar bem bebados e ele me ligou dizendo isso. Fingi não entender, usei a desculpa da barreira da lingua, ele fala meio enrolado as vezes e no dia seguinte não tocamos mais no assunto. A segunda vez veio em forma de sigla, TQM, escrita numa despedida de mensagem, que ao perguntar o que significava, ele me falou pra procurar no google, e eu vi lá: Te quiero mucho. Continuei fingindo que não entendi, porque se o google é que teria que dizer isso para mim, então é porque ele não estava pronto para dizê-lo. E finalmente a terceira vez que ele me disse veio pessoalmente, num momento de algo engraçado entre nós dois, estávamos rindo pela rua, felizes de nossa companhia e parece que escapou da boca dele, dessa vez em bom português: Eu te amo! Eu poderia ter aceitado aquelas palavras finalmente, eu queria ter aceitado e até hoje me pergunto se fiz certo de não ouvi-las, mas não o fiz. Ele disse baixinho e de forma muito rápida, talvez por timidez, talvez por não querer dizê-las realmente, então deixei o momento passar..Mas eu ouvi!

Comecei a escrever essa crônica sobre minha relação acabada, na tentativa de falar tudo o que não tive a oportunidade de falar para a única pessoa que eu queria que ouvisse. Estava me sentindo sufocada pelas palavras que ele bloqueou em meus lábios, por ele me querer muda tenho a vontade de gritar com toda minha força. Quando comecei a escrever minha intenção era extravasar toda a mágoa e a raiva que vêm dela e está me consumindo, não me deixando dormir, me fazendo ficar doente. Se eu pudesse, transformaria todas as letras desse texto em lâminas cortantes e atiraria sobre ele para que ele sentisse também como ardem essas pequenas feridas que deixou em mim. Imaginei uma crônica raivosa, tentei escrever sobre todas as suas falhas e defeitos e tudo o que eu não gostava nele para eu me sentir melhor e seguir em frente. Mas ao lembrar dos momentos que passamos juntos, fui enlevada pela ternura do seu sorriso, a delicadeza com que ele segurava minha mão e me fazia andar pelo lado interno da calçada, pela sua proteção, cuidado e carinho. Comecei a rir de soluçar ao lembrar do barulho da sua risadinha quando eu fazia cosquinha nele e da vez que eu cortei seu bife e das massagens que ele fazia sempre que eu pedia, lembrei do biquinho que ele faz ao me pedir um beijo sem pedir de fato, e de seu levantar de sobrancelha de amante latino (risos e mais risos..) E de seu olhar penetrante com aquelas sobrancelhas grossas escurecidos pelo desejo forte que ele sentia por mim e do som do seu sotaque que me fazia arrepiar ao me dizer: tranquila Marina. Das suas pernas que nunca paravam de balançar e que não me deixavam nada tranquila. Do cabelo dele todo em pé depois que tomava banho, do cheiro do seu pescoço..Aaah

"Saudade é emoção indivisível, razão incontestável para relembrar o gosto inesquecível daquela pessoa que mudou nossos passos, gestos e hoje, infelizmente nos considera gasto, empoeirado." 
Mas essa é a crônica do fim. E ele assinou embaixo na sua escolha de ser assim, então eu tive que aceitar. Em respeito à ele e muito mais em respeito ao meu amor próprio. Posso pôr fim a um relacionamento, mas as lembranças demoram um pouco mais para entender isso, tudo que posso fazer é deixar que o tempo faça o seu trabalho.
Fico me perguntando se ele sente algo ou se ainda lembra de mim ou sinta minha falta também. Embora eu saiba que essa pergunta nunca vá ser respondida, fantasio com ele aumentando seu teor de álcool em alguma festa para tentar apagar a falta que eu faço. Dele se revirando na cama a noite invadido pelas lembranças minhas deitada em seu peito e sinta falta disso. De ao flertar com outras meninas, perceba que eu não sou elas e me queira ali perto dele. Fantasio com ele lembrando dos momentos que eu escrevi aqui e sinta falta disso também. Mas são somente fantasias e eu vivo no mundo real no qual eu sou um problema a ser evitado.

De real o que me restou foi o chocolate semi amargo que ele me trouxe de sua cidade. E eu vou comendo o chocolate em pequenas raspinhas meio doce meio amargo. Porque sei que quando o último pedaço acabar, também será a última vez que eu sentirei o gosto do que é dele, em mim!

Enquanto olhava o mar numa tarde fria de um dia qualquer, a palavra melancolia ecoava em minha mente. Melancolia, a maneira romântica de ficar triste. Melancolia, melaaancolia, comecei a dizer em voz alta para mim mesma..

Sempre gostei dessa palavra, ela é gostosa de falar,enrola na língua e vai se alongando até ser dita. Tem gosto de pera doce e macia. Sei la porque..Eu sinto assim.
 O mar estava muito revolto, como se estivesse se sentindo preso ali, querendo ultrapassar aquela faixa de areia e tomar de assalto a rua dos pedestres. Eu sentada no banco de frente me perguntava se o mar teria a força suficiente para chegar até mim, as vezes pensava que ele só estava querendo assustar mesmo.. A força ele tinha, eu sei, acho que só não estava querendo mesmo..
E eu me sentia da mesma forma, mas sem saber se teria a força para me libertar caso quisesse.
Tenho passado meus dias quase sem falar, envolta em meus pensamentos ou tentando fugir deles através dos fones de ouvido ligados no máximo de uma música, ou indo malhar, porque o esforço físico abafa meus pensamentos momentaneamente, ou olhando o mar e procurando escutar o vento. E agora, nesses momentos que não consigo fugir das vozes dentro de mim me perguntando coisas que eu não sei responder, resolvi escrever.
Embora não queria cair na rede do "onde foi que eu errei?.", porque poxa vida, será que a culpa é mesmo sempre minha? Eu sei que para essa pergunta eu nunca terei resposta. E sei que para as outras que martelam na minha cabeça eu não teria a coragem de perguntar em voz alta, até porque o amor próprio que me guia, grita dentro de mim para eu ficar quieta, em silencio e não fazer alarde para a angustia que eu tenho sentido, porque eu sei que passado um tempo, ela vai passar, com ou sem respostas, ela vai passar. Então pra quê expor sua cara a tapa? Pra que tomar alguma atitude impulsiva, na espera de uma declaração de amor, isso não é um filme romântico da sessão da tarde. Finais felizes nunca fizeram parte da minha vida sentimental, pelo menos não no meu mundo real. 
Contra o silêncio não há argumentos e eu sei disso. Tirando o olhar melancólico de todo o acontecido, o fato é que eu fiquei por aqui enquanto o outro foi por ali, e foi se distanciando até esquecer o caminho de volta, ou até encontrar algo mais interessante no outro lugar ou ainda, até não querer caminhar junto comigo.
E fim!

Vou querer namorar? Não. Vou querer casar? Não. Vou querer pra pai dos filhos? Não. Então deixa pra lá que já tô velha pra essa palhaçada
História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam..


E eu to vivendo uma paixão de cinema. 
Sim , daquelas vistas nos filmes de amor que passam na sessão da tarde. Onde o cara é lindo, romântico e apaixonado e a mocinha é aquela que todos querem casar..Mas sim, tem algo mt errado nessa história logo de começo. EU SOU A MOCINHA!

O que pode dar mais errado do que escalar a atriz errada para o papel de protagonista?

Não nasci para mocinha de folhetim. No máximo me encaixariam para protagonista num romance trash cheio de clichês impossíveis, onde a moça apesar de fazer todas as merdas possíveis num encontro, acabasse conquistando o príncipe encantado. Essa sou eu.

Faço parte de um filme que não é meu. Onde tudo é perfeito, todos os encontros são de amor, as palavras são bem colocadas e o fundo é feito de trilha sonora da melhor qualidade. A última vez que participei de um filme desse fui trocada no último minuto por outra atriz mais certinha.. Aquela coisa de encaixar no papel em vez de incendiar a tela, não se fazem mais Marilins como antigamente..Tirei minha saias de fita do armário e vesti o personagem.. É bom poder ser 2,3, mil pessoas ao mesmo tempo!!!

Sempre tive problemas para dormir cedo. Por mais que eu tenha acordado cedo e enchido meu dia de tarefas, quando chega a hora de dormir o sono simplesmente não vem. Fico ali deitada virando de um lado para o outro, numa luta angustiada pelo soninho tranquilo. O problema é que quando eu coloco minha cabeça no travesseiro é que as as engrenagens do meu cérebro começam a girar mais rápido. É a hora que vem todos aqueles pensamentos que eu passei o dia todo empurrando pra debaixo do tapete, ai pronto, fico mais alerta ainda.
Quando estou acordada, quase todas as minhas ações acontecem de modo automático. O que foi feito, visto e falado aconteceu, pronto. Não tem como voltar atrás. Claro que ao falar algo impulsivamente, posso me arrepender e tentar me explicar, mas a palavra fica, já está posta, no máximo o que dá pra fazer é tentar passar um corretivo daqueles de caneta, que sempre deixam aquela marquinha branca e mesmo que tenha sido escrito outra coisa por cima, todos sabem que originalmente não era bem isso que estava lá. Mas quando eu deito e coloco minha cabeça no travesseiro, um mundo de possibilidades se abre pra mim, e revejo todas as linhas de uma realidade que poderiam ter sido, se eu tivesse escolhido esse ou aquele outro caminho.
Isso é angustiante.
É claro que tendo em mãos o resultado de um ato, fica mais fácil mensurar o que daria certo. Então quando eu sonho meu mundo fica mais bonito e feliz.
Minha relação com o desapego está cada vez mais forte, de tanto praticar a racionalizar os sentimentos, minhas atitudes tem sido cada vez mais céticas. De tanto tentar prever as linhas possíveis de um possível relacionamento, seu inicio, meio e fim inevitável (na minha lógica) prefiro nem começar um. Me resguardo o direito de não sofrer.
Achei que tinha descoberto a fórmula contra a angustia sôfrega dos fins de relacionamento, mas quando eu me deito e coloco minha cabeça no travesseiro, tenho sofrido mesmo assim.
De tanto praticar o desapego, me apeguei ao meu passado, aquele que aconteceu quando eu ainda não conhecia essa palavra. Aquele que aconteceu quando eu andava de mãos dadas e achava que tendo alguém pra dar as mãos, todas as possibilidades resultariam na minha felicidade.
Se ingenuidade me fez sofrer e o ceticismo também, qual o caminho então?
(não sou assim tão dramática, é que acordei de uma noite mal dormida..rs) 

 

Aqueles homens que nos trocam por uma mulher "mais leve" acabam namorando com uma gorda ou sem graça, sem gosto, puro tédio das mesmices dos encontros no cinema, restaurante e sexo por obrigação. Eu, agradecida, ofereço aquele sorriso meio de lado, acompanhado do meu olhar tipo vilã de novela. Eu não compliquei nada, só não me rendo aos clichês dos namoros roteirizados..

Gente feliz o tempo todo me cansa. Sabe aquelas pessoas que são sempre simpáticas, esfuziantes e se denominam Alto astral? Isso não pode ser normal. Sempre que uma pessoa chega em mim e diz que  é alto astral e de bem com a vida, eu sempre penso - aham, aham, a pessoa chega em casa e toma 2 Prozacs a cada 2 horas e trabalha fazendo aquelas risadas do Zorra Total, é claro!!! Aliás, uma pessoa que consegue rir do Zorra Total e todos os seus derivados realmente não pode servir como parâmetro de uma felicidade saudável. O nome disso é Prozac!

Pessoas boazinhas me cansam. Sabe aquelas pessoas que sempre tem uma palavra amável para todos? Se a pessoa consegue falar bem até da ex amiga que pegou seu ex namorado dentro da sua casa, transando em cima dos seus lençóis, ela não pode servir de parâmetro de um altruísmo. A pessoa é babaca, chifruda e tem péssima escolha pra amigos e namorados logo, não pode ser digna da minha confiança!
 Mas gente amarga também me cansa. Porque gente amarga tem um superego tão grande. Sim, porque ela pensa que o mundo todo gira ao seu redor e que tudo acontece por causa dela, mesmo que seja algo ruim. A pessoa pensa que o horário de verão foi estipulado logo naquele dia porque o universo sabia que no dia seguinte ela teria aquela reunião importante e não conseguiria acordar a tempo. A lei de Murphy foi feita em cima de análises da sua vida!
As vezes eu consigo ver o lado bom das pessoas, mas cortaria o pau de algum namorado que me traísse com alguém em cima dos meus lençóis. As vezes coisas ruins me acontecem, mas nem acredito em lei de Murphy, prefiro imaginar a sua variável, Lady Murphy, uma velha cocoroca com uma bengala batendo na cabeça de todo o mundo.
E o Prozac me faz tão bem..Mas eu também quero (e consigo, até porque arrumar uma receita azul não é algo fácil)  poder fazer isso por mim mesma..
E por favor, enfiem seu Alto astral no cú!

Depois de um longo período de hibernação, eis que meus dedos despertam numa fome ávida de dedilhar tudo o que se passou nesse tempo todo que fiquei longe daqui. No  meu último post antes da hibernação, descrevi o fim do fim do fim daquela história que virou tema central desse blog, eu precisava viver para além do que me corroía, e foi o que fiz.

Sai muito, entre uma estudada e outra na faculdade, conheci gente, gostei de pessoas, comecei relacionamentos, terminei relacionamentos, alimentei amizades, afastei de outras e os dias foram passando.
E só!
Só? Será que toda uma vida longe pode ser resumida em duas linhas de frases soltas? Pode, não porque não foi divertido, até foi, mas fora isso ou aquilo, minha avidez ainda não foi saciada. O que me arrebata eu ainda não sei, talvez meu olhar sobre tudo esteja estrábico e eu não consiga perceber que viver tem a ver com os pequenos fatos da vida, mesmo que pareçam simples mas seja isso, somente isso. E essa minha espera angustiada por algo grande seja em vão, a vida está nos detalhes, está?
Eu me sinto só, mas me sinto bem..Talvez seja pra ser assim mesmo..

Texto adaptado de Caio Fernando Abreu

De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca – de vinho, de lágrima e de café. O de vinho, sempre gelado, por mais que falem que se deve beber a temperatura ambiente, eu preferia assim, quase meio viscoso, durante as noites em que chegava em casa e, sem ele, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama, sem ele, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dele, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dele, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes de faculdade, entre textos de Bourdieu e sustos a cada vez que o msn piscava. Porque no meio dos restos dos gostos de vinho, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com ele, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.

O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vinho, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vinho e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente dele, guardava prudente no bolso os óculos já velhinhos de armação roxinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase todo o vinho, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo dele. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonada no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência – e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.
 Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito – nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar ele dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que ele me deixou.
Mandei para a lavanderia os lençóis azul-clarinhos que ainda guardavam o cheiro dele – e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, alguns dvds, duas dúzias de copos de cristal, mas não consegui trazer outros homens para casa. Homens que não eram ele, homens que jamais poderiam ser ele, homens que não tinham nem teriam nada a ver com ele. Se ele tinha os cabelos claros, eu escolhia os morenos de fios bem escuros, se ele tinha umas pernas e bunda inigualaveis,eu escolhia os do tipo mais longilíneos, se ele tivesse a voz doce eu os selecionava pelas vozes mais roucas que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que ele dizia ou não dizia, ele nunca dizia nada além de palavras doces e macias no diminutivo, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda por cima das linhas das minhas mãos. E dentre esses encontros eu me auto-sabotava de várias maneiras possives, cheguei a chorar durante um sexo, e sem ter como explicar o porque, juntei minhas coisas e fui embora, amaldiçoando o dia que conheci ele que me fazia comparar. Trair ele, que me abandonara, doía mais que ele ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.
Depois que ele me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do tentar pensar positivo, de muitas leituras motivacionais, das longas conversas com amigos e do mantra: "Vc sabe que isso vai passar." ouvidos a todo momentos e repetidos por mim, para mim.

E veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, mais cool, musculação, alongamento, yoga, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonita e renovada e superada e liberada e esquecida dos tempos em que ele ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana de noites em barzinhos propicios a caça, a festa alternativa propicia ao flerte com pessoas que em nada fossem parecidas com ele, e viajei, conheci novos lugares, novas nacionalidades, até um romance de verão numa ilha paradisiaca no meio do nada, o verão coloriu minha pele e meu humor.
Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser linda, depois de todos os exercícios para esquecer ele, e também posso ser sedutora com aquele charme todo especial de mulher-quase-madura-que-já-foi-marcada-por-um-desejo-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém dele, ou tentava já não contar. Nunca ninguém soube dele em minha vida. Nunca dividi o que ele foi realmente, com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que ele me deixou. Só escrevia sobre, porque se não meus pensamentos nunca me deixariam dormir.
Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego da faculdade por volta das oito horas da noite e pela janela do quarto ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento – aquele. Como se quando ele me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parada no meio do meu quarto que só ele eu tinha trazido pra dormir, com as últimas palavras ditas ao telefone que mantinha entre a mão e o ouvido. palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem ele, vá em frente, quase da mesma forma que ele fez. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que ele me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-lo, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.

Fora as bochechas rosas, tinha o lado de adorar o Charles. e eu deixei ele naquele momento trancado do lado de fora do meu quarto.Um pouco antes dele pular na nossa cama..

Quando eu vou esquecer dele, Cris? Foi a pergunta que fiz a minha amiga..(me torturando numa foto dele com um cachorro e as MALDITAS bochechas sempre rosas.) Ela respondeu com um bom  aiiiiiiiieeee e me convidou pra festinha com vários gatos do fim de semana!
A vida é assim..Fora essa minha vibe melodramática enlevada por um quase fora por mensagem (n, n vou contar, mas imaginem..,mens na madrugada invariavelmente são enviadas..rs) E NÃO, o fora não foi dele, só me permito pessoas que não fazem os meus dias seguintes..E não, não é por ele, é pq..É pq..ninguém tocou um violão tão bem pra mim..

ele é rosa..E eu espero..

Essa é a última carta sobre..Que eu te mandei ou não.Que você verá ou não. Que eu escrevo sobre, com certeza!
Eu não posso viver um ano, acho que hj faz um ano, ou quase, que estivemos juntos. Éhh, eu levo um certo tempo pra esquecer, talvez o mesmo tempo que eu levo pra tornar uma pessoa importante para mim. Mas não somos mais, a um certo tempo, eu sei, vc já tem outro outro alguém, que é importante pra vc, e a parte não egoista de mim me sente feliz por você. Só a parte não egoista..
Aquela que é, ainda sonha com núvens e vc acordando com as bochechas sempre rosas depois do meio dia, pra gente sempre era depois do meio dia. Alias, pra gente sempre era dia bom. Há não ser quando eu resolvia implicar com você, e eu sou mesmo de implicar..Mas eu gostava até do seu amigo, até ele era complicado, com a menina que não ia mt ao "salão" (tendeu?rs) mas eu achava perfeito..O Imperfeito era eu, que não conseguia me inserir nessa perfeição..Sempre querendo muito, falando muito, quase um menino, não sabia ser menina (??), eu queria ser mais delicada, mais isso não é mesmo pra mim..Eu sou daquelas que escrevem depois, que só pensam depois, e ficam remoendo o que já passou..Mas eu entendo, é mesmo muito complicado,..
O Tesão fica nas lembranças, é pra ter vergonha de falar disso? Mas é que é tão constante que as vezes me faz prarar no meio da praça. DA Rural ou da Tijuca.Tão perto, tão longe. Tão perto, tão socialmente correto! Na distancia de uma webcam, quero toca-lo! Não é aceitavel! Por quem?

pras meninas de plantão, segue o link para um sorteio super bacana e facinho de participar,,deu quebra dê uma olhada nas peças do blog que são lindas e por um precinho ótimo!

http://bygrazy.blogspot.com/2011/04/1-ano-do-blog.html
bygrazy.blogspot.com


Eu não sei se eu que estava muito mal acostumada com o carnaval, ou se esse foi mesmo o carnaval de encontros fails. Esse deve ser meu bad carnival, ou daqueles que servem pra te inspirar pro resto do ano, tipo como um ensinamento ninja de como não se meter em roubadas, ou pelo menos, como detecta-las a tempo. Explico..
Ano passado, meu ano rosa, conheci meu atual EX no carnaval. Nos conhecemos no segundo dia e não desgrudamos mais, ta que foi meio brega, mas quem nos via nas ruas de gente fantasiada, dava até pra escutar a trilha sonora de novela ao fundo e coraçõezinhos voando sobre nós. Ta..Muito brega, tanto que não durou muito após o carnaval e tratei de conhecer um novo principe..Que de principe tinha tudo, até as bochechas rosadas e o sorriso brilhante..Ok Ok! Agora to mais pra EX noiva de Chuck trocada no altar e precisando de um exorcismo do padre do O Exorcista!
Continuando nessa linha, meu carnaval deu pinta que nem o tal padre conseguiu me ajudar, começando logo pelo começo ( desculpando a repetição da frase) onde um encontro infeliz me fez fugir do supermercado sem minhas compras para o carnaval. (ia até explicar tal episódio melhor, mas achei melhor não pensar nisso agora, porque ainda é carnaval, fica de material gravado para um próximo post) Fugi não, corri como se tivesse visto o próprio Chuck ( e ainda tenho dúvidas se eles não são de fato primos) e fui dormir sem minha pizza e meu pote de sorvete, que deixei tombado na prateleira do extrato de tomate.(que alias, devo comentar, péssimo gosto da talzinha em escolher, a pizza ou o macarrão não ficariam ao meu gosto, não que eu tenha algo haver com isso..)
Apesar desse começo não esmureci e segui com uma suposta alegria, alcool ajuda nessas horas, para o meu carnaval no Rio (devia ter viajado como sempre)
Merda!
Merda em inglês!
Merda em Nepalense!
Descobri que devo ter muita cara de turista ou de mulata, ou então que o Rio está sendo dominado por gringos, porque tudo que fiz nesse carnaval foi um curso intensivo de conversação em inglês! E olha que estudar era a última opção que eu queria aderir. Bem, como saldo positivo digo que to quase fluente na lingua, e nem é desse modo maldozinho que vocês possam pensar, pq sei la se é preconceito mas continuo achando gringo tudo uns bobocas que na verdade só ficam bonitos e interessantes nos filmes!rs
Até procurei me aventurar num certo palhacinho popuc barrence, mas foi só pra eu reaprender que essa raça não presta!( a menina ta desgostosa com a vida messssmo!)
Bonitinhos, charmosinhos mas não prestam!E eu bem sei disso! Aah se sei!!
Não costumo dar nome aos bois, na verdade a namorada desse individuo que é chifruda, mas enfim, eu não sabia até dar uma pesquisada no facebook, mas esse merece:
Thiago Coimbra, não me ligue mais e apague meu número do seu celular. Eu te achei no face! Ah não ser que Bruna Machado, relacionamento sério, signifique que ela seja sua irmã e você considere isso um relacionamento sério, não me ligue mais, vou continuar não te atendendo!
aah esses palhacinhos do carnaval quando tiram a fantasia nem me fazem mais graça..
:D
E um ps 2: (hoje to nervosa) Bora dividir os supermercados neam meu querido, ou vou ter que fazer igual Luana Piovani e pedir 250 metros de distância..)



Ando longe de tudo, longe da rua, longe dos amigos, longe de mim, longe daqui.  As vezes ainda me pegava pensando que tinha que escrever, talvez isso me fizesse voltar, mas eu sempre preteria esse momento meu entre o teclado e a tela do computador. Nunca me parecia ter o que dizer, o que escrever, sobre o que? Que novidades, alegrias, dramas ou dúvidas tenho para contar? Nada..
Aquele sentimento conhecido de coisa morna, vida morna, não aquele morno gostosinho que te faz sentir aconchegada, é um morno de agua que não mata a sede, de tempo que não refresca, só vai irritando. Ando irritada!
Nenhuma emoção, que seja boa ou não, que faça meu coração acelerar derrepente e meus olhos ficarem atentos, as mãos suadas.
Nenhuma espera que me faça ficar ansiosa, contando os dias, horas, minutos pra chegar.
Nenhum embalo dançante, nenhum beijo gostoso, nenhuma conversa animada..Ando com preguiça!
 Blasé! Nonchalant! Tédio!
Não sinto o gosto, faltam-me papilas mais gustativas!

De sábado pra domingo decidi ficar em casa..Pensei, aah to cansada, peguei sol o dia inteiro, to meio quebrada de grana, já sai ontem ( a única constante em minha vida..) e sei la, muito trabalho ser simpatica, bonita, agradar e prospectar pessoas interessantes nesse dia pós muito sol. Pra que ter que sair todo sábado neam?
Domingo se repetiu quase o mesmo programa de sábado, com a diferença que vieram uns amigos na piscina aqui em casa também e acabamos esticando prum barzinho pra ver o jogo e fechar o fim de domingo.
Dai que voltei pra casa meio assim, sem nada pra fazer, vendo tv e meu tel toca..Oi tudo bem quanto tempo, o que tem feito..Aquela conversinha de sempre..
Nada, férias tranquilas, vamos marcar um café? Falei assim meio sem perceber, escapou da minha garganta, que engasguei em seguida..
É ando muito ocupado, só liguei pra saber como você tava mesmo..
Eu to muuuuito bem, alias nunca estive melhor. Ja falei que tava viajando? Prum lugar lindo? É é é, e nem me lembrei de você, quaquer referência que eu fazia a seu respeito eu falava assim> Aquele garoto!
AAh sim, você esqueceu meu nome, mas as referências continuaram vigentes!!

Isso que dá ceder..
Abriu a guarda..
FUUUUUUu
Nem gosto de café mesmo;;Prefiro Expresso
EXPRESSO TAAA!!!

Ano novo, vida nova, melhor época de limpeza das redes sociais e msn não existe. E foi o que fiz, mandei pro delete aqueles que não queria mais ver suas atualizações no facebook, nem fotos, nem pra onde vão nem o que andam fazendo. DELETEI MESMO! Assim, de um clique só mandei uns 4 pro lixo dos mais não amigos virtuais. A lógica seguida foi a seguinte: Me fez sentir refem na minha própria cidade (como explicado na parte I desse post), não fala mais comigo ou eu não quero mais falar e se aguçava meu instinto detetive-neurótico, eu deletei! Assim também no msn, o que não deletei, resolvi bloquear por tempo indeterminado! Fiz isso com quase todos que se encaixavam nessa minha lógica! Quase todos..Ghrrrr
Fui deletando dos mais faceis, aqueles que eu não queria mais saber, até aqueles que ainda me restavam uma dúvida. Até chegar no meu tormento de todo 2010! Parei na página dele, olhei, pensei em dar uma última fuxicada, afinal depois de deletar eu não conseguiria mais ver. Fui ver as fotos das festas de fim de ano e meu radar detetivistico percebeu a ausência de um ser ali. Ué? Cadê a inha no album de fim de ano? Não tava lá! Meu canto da boca quase esboçou um leve sorriso, que tratei logo de não continuar. Não tenho nada haver com isso e não me importo mais! Tratei logo de ir com o mouse até o botão de excluir antes que eu começasse a me importar de novo e parei. Parei não, travei! Foi como se meu botão de deletar parasse de funcionar, meus dedos não respondessem a minha ordem mental. Aperta a porra do botão Marina! Apeeeerta! Meus dedos simplesmente resolveram não funcionar. Desliguei o pc mas não a ideia. Eu vou conseguir. Amanhã vc não me escapa botão de delete!
Voltei mais 3 dias seguidos e nada..
Ta me rendo. Não vou deletar. Tudo bem, pensei, não tem problema, vc só precisa ficar cega quando tiver qualquer atualização dele.
Mas ainda me restava o msn, deletar nem preciso falar que não consegui neam..Mas bloqueei bonitamente, de um clique só USUÁRIO FOI BLOQUEADO! Aaah consegui.
...
   ...
      ...
Durou mais de uma semana ta! Muito forte eu sou!
E olha que eu nem puxo conversa,  NUNCA! Porque também qual assunto teria? Porque não tem foto da inha no ano novo, terminaram? Ahahaha! (decadente!) E agora tai pegando várias?! Aah eu também.. Assim muuuitos. (não pera, não poderia responder assim sem parecer uma piranha, reformulando..)Aah eu também pegando um muiiiito legal e que me adora!Aah não viu que eu estou num relacionamento sério! Então é muuuito sério mesmo!
É..isso nunca da certo mesmo. Namorar com o João imaginário é pior do que não namorar ninguém.
Se eu to com alguém sério? Não estou nessa vibe no momento sabe.. Muitos planos que não condizem com um relacionamento sério no momento. É férias, vou viajar, quero me sentir leve e desprendida, esse é o meu momento, só meu, acho melhor assim, essas pessoas que sempre precisam estar em um relacionamento são tão pateticas, eu acho!
É...Essa respostinha foi falsa até pros meus ouvidos! rs..
Então antes que eu desse um surto e acabasse perguntando, falando e fazendo algo que eu vá me arrepender novamente (tipo uma idéia de: Vamos almoçar, tempo que não nos vemos, fisicamente pelo menos, e almoço é algo muito ingênuo porque eu não tenho nenhum interesse alem disso e as pessoas podem ser ver depois certo? Qual o problema? Somos adultos, sabemos nos controlar, ou melhor, não precisa de controle, controle do que e para que? Não tem nada que precise ser controlado, ou melhor, eu pelo menos não tenho nem sinto, como se eu precisasse de controle pra encontrar qualquer conhecido, é um encontro normal, café, colocar o papo em dia, comer um sanduiche e ir embora! Nada demais!)
...
Bloqueei novamente!